Boston Consulting Group revela que apenas 15% das empresas definiram objetivos para mitigar as emissões decorrentes da cadeia de abastecimento

Lisboa, 11 de outubro de 2024.- Os setores da indústria transformadora, do retalho e dos materiais foram os que geraram mais emissões na cadeia de abastecimento, contando com uma pegada 1,4 vezes superior ao total de CO2 emitido na União Europeia em 2022. O estudo “Scope 3 Upstream: Big challenges, simple remedies”, do Boston Consulting Group, em parceria com o Carbon Disclosure Project (CDP), mostrou que as emissões de âmbito 3, ou seja, com origem na cadeia de abastecimento, foram, em média, 26 vezes superiores às emissões de âmbito 1 e 2, ou seja, aquelas que decorrem de operações diretas.

As emissões decorrentes da cadeia de abastecimento são responsáveis pela maior parte dos gases poluentes emitidos pelas empresas, no entanto apenas 15% daquelas que divulgam informações ao CDP definiram objetivos concretos para mitigá-las, frisa o Boston Consulting Group em comunicado. No mesmo documento, o Managing Director e Partner da BCG em Lisboa, Carlos Elavai, sublinha a importância da “quantificação destas emissões, exigências de reporte, fiscalização apertada e gestão eficaz dos riscos associados”.

As emissões com origem na cadeia de abastecimento implicam riscos financeiros para as empresas e para os investidores, sendo que, por exemplo, as emissões deste tipo divulgadas pelos setores da indústria transformadora, retalho e materiais em 2023 representam um passivo ambiental de mais de 335 mil milhões de dólares, o que condiciona a cadeia de abastecimento e pode afetar o desempenho das empresas. Porém, apenas metade das organizações que divulgam informações através do CDP avaliam os riscos financeiros destas emissões de âmbito 3 – sendo que destas, apenas um terço reconhece o risco que implicam para os lucros – e menos de um em cada dez investidores exige que as empresas investidas as divulguem como parte das políticas de avaliação de investimento.

Na sua análise, o Boston Consulting Group destaca os três fatores mais relevantes para a definição de objetivos ambientais e para a implementação de estratégias eficazes de mitigação das emissões carbónicas. O primeiro é a implementação de um comité dedicado ao clima, ou seja, um órgão que analise os impactes ambientais da sua atividade, recorra a consultores externos especializados e faça a análise financeira do risco associado às emissões da cadeia de abastecimento, em articulação com o conselho de administração. As empresas que já o fizeram têm cinco vezes maior probabilidade de ter objetivos referentes às emissões de âmbito 3 e uma estratégia alinhada com as metas globais de descarbonização, refere a consultora. O segundo é o envolvimento dos fornecedores. Envolvê-los nas questões ambientais é considerado um passo essencial para a gestão eficaz das emissões da cadeia de abastecimento. A transparência dos dados por estes fornecidos também é crucial para a definição de objetivos e alinhamento de estratégias. O último dos fatores destacados é a definição e adoção de preços internos de carbono, que deve ser incluído em todas as decisões de negócio. O BCG também insta os investidores a exigir a divulgação dos riscos associados às emissões de âmbito 3 e a fixação do preço do carbono pelas empresas para promover transparência e execução de medidas. Na ausência de dados específicos, sugere-se que utilizem um modelo de avaliação de ativos financeiros adaptado aos impactos climáticos para incorporar o risco de emissões deste âmbito nas análises e garantir avaliações de mercado justas.

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